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9 de Abril de 2020

Os primeiros passos na advocacia

Este texto é contra-indicado para pessoas muito metódicas, tradicionalistas, enciclopédicas, apegados ao Código Civil de 1916, etc. Aviso: Free-juridiquês

Paulo Arruda, Advogado
Publicado por Paulo Arruda
ano passado

*imagem meramente ilustrativa

Na vida em geral, encarar o início de um novo hábito ou nova atividade é sempre um desafio. Todas as vezes em que estamos diante de algo novo, somos projetados para um universo particular de insegurança, que nos impede, bloqueia e desestimula a se aventurar pelo desconhecido. Nesse texto (free juridiquês), vou compartilhar com vocês um pouco da minha experiência com o início na advocacia, que envolve riscos, foco e coragem para curtir essa arte ma-ra-vi-lho-sa que é advogar.

O início...

Nunca correspondi a imagem do típico estudante de direito que já entra na faculdade querendo ser um juiz, promotor ou dono de um vara. (Aliás, entrei na faculdade sem ter a mínima ideia do que a palavra “vara” significava. A não ser aquelas que os esportistas usam para saltar).

Muito pelo contrário, direito não foi minha primeira opção e entrei na faculdade aberto para conhecer o curso e descobrir algo que se adequasse a minha personalidade. Isso já me deixava sob uma insegurança tremenda, afinal de contas, lá em 2007, no primeiro período, todos os meus colegas da faculdade já pareciam ter planejado toda a sua carreira jurídica. Mas isso ainda não se comparava aos comentários dos meus amigos próximos dizendo que eu estava no curso errado e que deveria investir em jornalismo ou algo voltado para a área da comunicação.

COMENTÁRIO: Todo ser humano nesse exato momento, esteja ele iniciando na advocacia ou não, está enfrentando algum dilema que ele mesmo custa ou não consegue resolver. Mas é engraçado, que mesmo não conseguindo solucionar os seus próprios problemas, parece ter plena convicção de que pode resolver o futuro do outro com um estalar de dedos. FALA SÉRIO POVO, quem aqui já não ouviu aquela tia dizer que é melhor estudar para um concurso? Ou tem aquele amigo que diz conhecer o namorado de uma prima que se especializou em tributário, ficou rico e que você precisa investir nessa área se quiser obter sucesso também?

Foi nesse panorama que fui aprovado no Exame de Ordem em 2012.1 antes mesmo de me formar na faculdade. Após a formatura, comecei a advogar imediatamente para uma empresa na qual já prestava serviços como estagiário.

Aí vocês podem dizer: “Ahhh então foi fácil, teu primeiro cliente foi logo uma empresa?!”

Como estagiário ganhava R$.400,00 (quatrocentos reais) e quando fui “contratado” como prestador de serviços tive um upgrade salarial ultra-mega-blaster para R$.1.000,00 (mil reais) por mês. Bom, confesso que não era a proposta milionária que eu esperava receber, mas no auge dos meus 22 anos, morando longe de casa e tendo que me manter sozinho, aquela era a opção que eu tinha e eu precisava planejar o que fazer para melhorar.

Entendam que eu não tinha um tostão furado pra abrir meu próprio escritório, morava numa "cidade grande", longe de casa, sem qualquer contato ou influência que pudesse me garantir uma vaguinha de trabalho... Eu tinha tudo pra chutar o balde, desistir e voltar pra casa dos meus pais, mas isso nunca esteve nos meus planos!

Sem comentar que durante toda a faculdade, eu NUNCA havia acompanhado uma ação judicial completa (até o trânsito em julgado da sentença). Meus serviços no estágio se resumiam a demandas extrajudiciais e daí vocês podem imaginar o tamanho da insegurança do garoto em oferecer um serviço que, na boa verdade, JAMAIS HAVIA PRATICADO! (isso é um segredo nosso rs)

A vida me deu um único limão, mas eu não desanimei e cuidei logo de fazer dele uma limonada!

Eu tinha liberdade para fazer o meu horário. Não precisava prestar expediente no escritório da empresa diariamente, afinal de contas eu era um simples prestador de serviços. Mesmo assim, fazia questão de sair de casa TODOS OS DIAS às 8h, ir ao escritório do meu único cliente e mostrar a ele que eu era um profissional indispensável para o equilibro das atividades da sua empresa.

Meu pai sempre me disse que “É na rua que se faz negócio!”, então eu sabia que ficar em casa, mesmo quando não tinha o que fazer na empresa, definitivamente não era uma opção!

Sempre estava no fórum, na empresa, na prefeitura, nos cartórios ou em algum lugar em que pudesse ser visto, notado e contratado por qualquer cidadão desavisado que eventualmente por ali estivesse e precisasse dos meus serviços.

O fato de prestar serviços para esta empresa voltada para a construção civil, me fez despertar um interesse pela área e logo pensei: Quanto mais estudar melhor vou ser nisso que faço, logo conseguirei contratar com mais clientes! E assim o fiz.

Embora não tivesse grana para pagar uma pós ou mestrado, passei a comprar a maior quantidade de livros que podia, passei a ficar atento em palestras, congressos e eventos, para me manter o mais atualizado possível, assim como, fazer contato com outros profissionaisda área (engenheiros, arquitetos, construtores, etc).

A fórmula era a seguinte:

   ESTUDO + VISIBILIDADE = CONTRATOS/CLIENTES

Não demorou muito e logo os corretores de imóveis começaram a me contratar para fazer contratos de compra e venda, de locação, de corretagem, etc. Depois os clientes dos corretores começaram a me contratar para consultoria em novos negócios. Depois novas empresas e daí por diante.

Ganhava aqueles milzinhos simplórios, para prestar serviços. Trabalhava mais do que devia, mas sempre soube dar valor ao meu trabalho e dar valor ao meu cliente, pois sabia que ele seria a minha melhor vitrine, para trazer outros contratos.

Ah e vocês podem até dizer: “Ahhh mas essa técnica só dá certo porque ele deve gostar muito de falar e então tem mais facilidade para fechar contratos!”

          Essa é uma grande mentira!

*imagem absolutamente verdadeira

Preciso deixar claro aqui que sou filho de uma professora (extremamente tímida) e de um caminhoneiro (extremamente gente boa), herdei deles coisas incríveis, mas confesso que a “extroversão para contratar”, não foi uma delas. (rs)

Daí a importância de você descobrir quais são seus pontos fortes e fracos. Trabalhe para intensificar os fortes e observe as fraquezas para evitar que elas derrubem você. Não dê importância excessiva aquilo que você eventualmente não saiba fazer. Nunca fui bom na área criminal, mas tenho vontade de fazer um júri um dia. Devo me martirizar por isso? JAMAYS! Se pintar uma oportunidade, procuro algum criminalista, dividimos os honorários e faremos juntos.

Temos uma tendência ao pessimismo, pois quando somos crianças é comum nossos pais afirmarem que “somos ruins nisso ou naquilo”, mas agora, cientes dessa tendência, temos que virar essa chave, focar nas nossas qualidades, desenvolvê-las da melhor forma, sem medo, pois o mercado está aí, pronto para recebê-los (as) de braços abertos (e cheio de honorários rs).

O início da advocacia é uma experiência muito particular para cada sujeito, mas um ponto comum à todos é que sem dúvidas é um período especial e de muito aprendizado.

Aproveite para aprender o que puder e tenha uma boa vida! <3

Se você leu até aqui, deve se importar com o que eu escrevo. Muito obrigado pelo carinho e me conta nos comentários como veio até aqui? É advogado? Estudante? Está começando a carreira agora? Vamos conversar...

25 Comentários

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Ótimo texto, tô começando agora na advocacia, depois de 2 anos com a OAB em mãos, sem nunca ter pensado em advogar, porque até então, achava que só existia um caminho (concurso público), e só agora, consegui ver inúmeras possibilidades. Obrigada pelo texto, sigo você no instagram, adoro seu conteúdo leve e sincero!!! Grande beijo s2 continuar lendo

Você é ótimo... estou no limbo jurídico, formada, aprovada na OAB mas sem a credencial ainda... me sentindo perdida hehe continuar lendo

Te acompanho no Instagram. Aliás, você fica ótimo de verde e com os storys que combinam com a roupa. Mas adoro mesmo é seu bom humor e simpatia. Estou no início da advocacia e não tem sido fácil. Obrigada por compartilhar sua experiência. continuar lendo

Que texto, Paulo!

Muito inspiradora a sua história e estratégia para ganhar seu próprio espaço. Parabéns!

Lendo seu texto, lembrei um pouco da minha história. Coincidentemente, me formei em 2012 também. Entrei num escritório ganhando R$1.000,00, com a promessa de que, no final de três meses, eu teria uma proposta muito boa. Subiram para R$1.300,00! Hahaha!

Depois de um tempo comecei a advogar sozinho em home office, colecionando dificuldades e desafios até hoje também.

Adorei seu texto. Continue escrevendo.

Abraços! continuar lendo

Que história linda! Me inspirando em ti em 3,2,1... vim do Instagram pq te sigo a cada passo que tu posta! 😘😘😘 continuar lendo